6.8.06,8:44 AM
Um punhado de fluoxetina
dai que eu voltei com a medicação, depois de um ano e três meses. a situação interna estava mesmo insustentável e a pediatra da minha filha notou isso. porque ela é daquelas pediatras que acham super válido tratar o bebê e a mãe como um todo e eu deliro quando tem consulta da Ana porque sei que poderei falar com ela. eu meio que adoro a mulher.
porque você fica nove meses fazendo pré-natal e recebendo todo o cuidado do mundo e depois que o bebê nasce é uma coisa louca porque você meio que deixa de existir, porque tem o bebê e tals. e é claro que ele é o centro das atenções, inclusive médicas.
e tem toda a pressão de que você tem que amamentar e bem, eu não consegui a façanha. não mesmo. já no hospital amamentava super pouco e nada do leite descer e minha filha uivava de fome e os médicos me mandavam ficar calma. e quem fica calma num alojamento coletivo com outras desconhecidas tendo transtorno bipolar e síndrome do pânico? pois bem, o leite ia pras cucuias mesmo. e a menina emagreceu e queriam interná-la. ai que eu fiquei louca mesmo e então, vendo que eu surtaria de vez, os médicos nos liberaram com medo da bomba.
e a pressão continuo em casa e minha filha magrela e pernuda olhando para mim com fome, e o meu leite saindo em gotas. e eu com aquele gosto de fracasso na boca porque, nossa, sempre achei amamentar lindo. e por conta das tentativas de amamentar nada da medicação pro meu humor, que a essa altura nem sombra havia dele.
e nessa quinta eu disse pra médica que queria voltar com a medicação, mas que ficava com dor na alma ao pensar que teria de parar de amamentar o pouco que consigo. ai o que ela me disse foi fundamental:

"o que é melhor? uma mãe deprimida que amamenta por dever ou uma mãe ciente que fez o possível e que precisa se equilibrar ficar bem para cuidar cada vez melhor do seu bebê? Porque convenhamos Verônica, com tudo que você passou, essa menina está perfeitamente bem, mais saudável impossível."

que peso tirado das costas.
 
Verônica
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