2.9.07,5:22 PM
mudanças
agora estou aqui sambambaia, ever
 
Verônica
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21.12.06,2:39 PM
Viver de sombra
encheu meu saco essa depressão do cacete.
(nossa, nem acredito que consegui assumir isso)

ter filho é muito legal, mas acho que envelheci uns 10 anos. de preocupação, de saudade, de tristesa.

é engraçado como a vida muda muito depois desse grande acontecimento, nunca me imaginei nesse papel, nunca me sonhei nessa vida que eu levo hoje, desejando essa paz. não há um dia em que eu não olhe para a minha filha e não sinta o maior Amor do mundo e a maior dor do mundo também, porque eu sei que ela vai crescer e se desprender e sair livre para o mundo e pelo mundo e eu nem sei se darei conta disso, mas por causa dela me dei conta que sou grata à Vida e tudo que ela me trouxe até esse exato instante, as pessoas delíciosas que eu conheci e que me dei por conta durante esse período de hibernação, e tudo isso graças a minha pequena pululante.

ser mãe me fez ser mais de mim, como se eu me reinventasse a cada dia, como se eu me juntasse e colasse os caquinhos e deles fizesse um mosaíco que me conta uma história que só agora estou pronta para ouvir, como se fosse sublime.
porque há momentos para se ouvir grandes histórias. e precisamos ser grandes para entendê-las.

e eu sou do tamanho exato do meu horizonte.

A Criança Que Ri na Rua

A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo -
Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo.


(Fernando Pessoa)
 
Verônica
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16.11.06,11:40 AM
Sonhos
nossa. teve aquele meu amigo que me fez a fatídica pergunta: "Quais são teus sonhos, Veronichique?. E eu entrei na maior deprê por conta disso.

mas percebi que tenho sonhos sim:

sonho em sair de Campinas. Não gosto daqui, nunca gostei. Gosto da minha casa. Que pode ser em qualquer lugar, não aqui.

sonho em ser magra. só isso. sentir meus ísquios.

sonho em dar aulas e ser bem remunerada por isso. (paradoxo)

para mim, ter sonhos é a descoberta do século.
 
Verônica
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12.11.06,12:40 PM
Tanto por tão pouco.
a batida analogia. como quem faz um inventário. assim pensa os dias. e pensou também que dessa vez morreria, mas também passou, porque no fim, tudo passa. mesmo.
e o humor continua variável e os remédios continuam colaborando para o ponto alto do dia. enquanto a pequena dama "anda" pela casa e ensaia um "mamã". acha tão bonito esse jeito de falar. meio pequeno, quase adocicado, cheio de um afeto genuinamente verdadeiro por desconhecer-se. sim, pensa mesmo que os sentimentos são verdadeiros quando são desconhecidos em sua essência. quando tenta explicá-los é que já perderam a razão de ser. se você precisa explicar, caramba, é porque você mesmo deixou de entender.
acredita mesmo que as coisas são. e quem ensinou isso? k. ever.
a minha f. pessoa.

e tanto por tão pouco. que apenas é.
e foi assim.
essa tristeza toda e agora, agora...
ainda está acontecendo.
 
Verônica
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7.11.06,3:15 PM
Um elefante.
a verdade é que eu estou, a cada dia que passa, com menos paciência com as pessoas. porque eu estou mesmo é sem paciência comigo. as pessoas me irritam, quase todas, porque na maioria das vezes as acho tolas e vazias, porque eu mesma sou tola e vazia.
e eu estou cansada dessa depressão sem fim, de tomar remédio e fingir que estou feliz e que não há problema, porque há sim e porra nenhuma resolve. minha cabeça está explodindo, o meu saco já explodiu a tempos e eu nem sei direito porque.
talvez por viver mesmo.
passei da fase tristeza profunda para a raiva avassaladora.
e uma pata de elefante repousa sobre a minha cabeça ou o que resta dela.

ai eu paro de tomar a merda do remédio e me deparo com a realidade mais besta e dolorida possível, na qual a vida não é azul, nem rosa, não é nada, é simplesmente o ato de respirar que dói, que dilacera, que me coloca no chão.
 
Verônica
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19.10.06,4:29 PM
TwoSix
paz no coração. amor recíproco. carinho fora de hora todos os segundos. saúde. paz na mente. paz na alma. paz com calma.
amém.
e que se o dia não foi feliz.
que a vida, como um todo, seja.
 
Verônica
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18.10.06,4:26 PM
Tendences
Sejam breves estas horas,
Uma vez que a angústia nunca cessa.
Inacábavel choro,
Consolo que não chega.
Intransponível tristeza,
Desde muito peço: Vá ou
Expurgue-me do mundo.

sem demora.
 
Verônica
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,3:25 PM
let's talk about
dai que eu descobri que não tenho sonhos.
explico:
cena 1:
h. vem em casa e pergunta quais são os sonhos de v.
cena 2:
v. vai tomar banho e a água escorre, escorre e não limpa e nem desanuvia nada.
e nenhum sonho aparece.
cena 3:
v. chora baixinho no travesseiro. mais uma noite sem sonhos. a vida quase inteira sem qualquer um.

(e tudo isso na véspera do aniversário...)

26.

o meu inferno astral se apossou até do paraíso.

e as crianças do prédio correm e gritam e esperneiam e batucam tudoaomesmotempoagota e acordam a pequena, depois de quinze minutos que eu finalmente(depois de duas horas de tentativas frustradas) a fiz dormir.

e o saco cheio explode.
e a depressão manda flores de plástico ao meu pré-túmulo.

ah, e ainda me perguntam se eu tenho sonhos...
eu prefiro nem pensar em mim.
 
Verônica
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