encheu meu saco essa depressão do cacete.
(nossa, nem acredito que consegui assumir isso)
ter filho é muito legal, mas acho que envelheci uns 10 anos. de preocupação, de saudade, de tristesa.
é engraçado como a vida muda muito depois desse grande acontecimento, nunca me imaginei nesse papel, nunca me sonhei nessa vida que eu levo hoje, desejando essa paz. não há um dia em que eu não olhe para a minha filha e não sinta o maior Amor do mundo e a maior dor do mundo também, porque eu sei que ela vai crescer e se desprender e sair livre para o mundo e pelo mundo e eu nem sei se darei conta disso, mas por causa dela me dei conta que sou grata à Vida e tudo que ela me trouxe até esse exato instante, as pessoas delíciosas que eu conheci e que me dei por conta durante esse período de hibernação, e tudo isso graças a minha pequena pululante.
ser mãe me fez ser mais de mim, como se eu me reinventasse a cada dia, como se eu me juntasse e colasse os caquinhos e deles fizesse um mosaíco que me conta uma história que só agora estou pronta para ouvir, como se fosse sublime.
porque há momentos para se ouvir grandes histórias. e precisamos ser grandes para entendê-las.
e eu sou do tamanho exato do meu horizonte.
A Criança Que Ri na Rua
A criança que ri na rua,
A música que vem no acaso,
A tela absurda, a estátua nua,
A bondade que não tem prazo -
Tudo isso excede este rigor
Que o raciocínio dá a tudo,
E tem qualquer cousa de amor,
Ainda que o amor seja mudo.(Fernando Pessoa)